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A Mulher Pecadora que Ungiu os Pés de Jesus | Estudo Bíblico

A Mulher Pecadora que Ungiu os Pés de Jesus | Estudo Bíblico

No Evangelho de Lucas 7:36-50 encontramos a história sobre a mulher pecadora, que ungiu os pés de Jesus com um óleo perfumado, retirado do vaso de alabastro. Ela lavou os pés do Mestre com suas lágrimas, e os secou com seus cabelos.

Essa passagem foi registrada em quinze versículos, o que faz com que o verso de Lucas 7:43, que traz a resposta sobre quem mais foi perdoado e quem mais amou, seja o versículo central do texto.

O tema do encontro entre Jesus, a mulher pecadora e Simão, é o perdão e o seu direto relacionamento com o amor de Deus.

Além disso, essa passagem traz em duas oportunidades, a revelação da essência divina de Jesus. Por que a pecadora chorava diante do Mestre? Quem era Jesus na percepção dela? São essas perguntas que procuraremos responder no nosso estudo bíblico. Acompanhe conosco.

O banquete na casa de Simão o Fariseu

O Mestre foi convidado por Simão, um Judeu ultra-ortodoxo que pertencia à seita dos Fariseus. Muito embora os Fariseus fizessem uma forte oposição à pregação de Jesus, Ele mesmo (Jesus era Judeu também) não os tinha como inimigos.

Na cultura Judaica do primeiro século, a refeição era símbolo de união, amizade, e comunhão. Uma pessoa só se assentava à mesa com outros homens que considerasse amigos. E foi isso que Jesus fez:

E rogou-lhe um dos fariseus que comesse com ele; e, entrando em casa do fariseu, assentou-se à mesa.
Lucas 7:36

Segundo Louis Claude Fillion, Teólogo, Judeu Francês, dentro dos costumes Judaicos daquela época, o lar não é um recinto isolado. A casa de um senhor abastado, que convida seus amigos para um banquete, torna-se uma “sala teatral”, com entrada franca.

OS curiosos podiam entrar e espiar. Jovens, velhos, ajuntavam-se diante da porta e ficavam ali, observando todo o movimento. Vagarosamente os convidados iam chegando e se acomodando no salão de jantar, quer sejam pobres, quer sejam mendigos, não importava.

Essa era uma forma de um senhor mostrar a sua riqueza de forma liberal a toda a vizinhança. Jesus citava isso em suas parábolas, o que não era difícil de acontecer dentro dos limites da cultura e dos costumes orientais.

Depois de servir os convidados à mesa, o dono da casa ordenava que os que estavam mais distantes, e à entrada, e até do lado de fora da casa, também fossem igualmente servidos. Geralmente esses banquetes ocorriam ao cair da noite, quando a temperatura era mais fresca.

Dessa forma, a mulher pecadora teve acesso ao recinto em que Jesus estava, no jantar na casa de Simão.

O vaso de alabastro

E eis que uma mulher da cidade, uma pecadora, sabendo que ele estava à mesa em casa do fariseu, levou um vaso de alabastro com ungüento;
Lucas 7:37

Lucas prossegue o seu relato, dizendo que uma mulher pecadora levou uma vaso de alabastro com unguento, para o local do banquete. No original, em Hebraico, o nome desse vaso é צִנְצֶנֶת “tsintsenet”, um jarro de vidro; um material mais transparente do que os vasos tradicionais de cerâmica.

E a vida daquela mulher era sem dúvida muito transparente. Todos sabiam da sua reputação. Ela não estava ali tentando esconder a sua história, ao contrário, ela trouxe tudo para diante do Mestre, em busca de mudança.

A própria palavra usada para descrever que Jesus se assentou à mesa, é o verbo לְהָסֵב “lehasev”, que também significa “mudar algo”. De fato o Mestre se assentou para realizar mudanças naquela noite.

E em Hebraico, o nome do óleo que havia no vaso de alabastro é בֹּשֶׂם “bosem”, um bálsamo perfumado. Era costume do anfitrião (o dono da casa), gotejar uma vez, esse óleo perfumado, na cabeça do convidado principal.

Preparas uma mesa perante mim na presença dos meus inimigos, unges a minha cabeça com óleo, o meu cálice transborda.
Salmos 23:5

Igualmente, as ruas, os caminhos de Israel não eram tão largamente pavimentados como atualmente. As pessoas usavam sandálias ou alparcas para a proteção parcial dos pés. Mesmo assim, elas não impediam a poeira e o ressecamento da pele, dos viajantes.

Por isso, fazia parte da hospitalidade, que o anfitrião “desatasse as correias das sandálias” do convidado, e lavasse cuidadosamente os seus pés, como sinal de respeito e consideração.

Foi esse o significado da frase de João Batista:

Este é aquele que vem após mim, que é antes de mim, do qual eu não sou digno de desatar a correia da alparca.
João 1:27

João Batista, o maior dos Profetas, humildemente dizia com a frase acima, que não era digno de que Jesus entrasse em sua casa.

Simão o Fariseu, um homem comum, mais cheio de orgulho próprio, tinha assentado na sua sala, o Rei do reis e Senhor dos senhores, o Primeiro e o Último, Aquele que possui a chave que abre para a vida eterna.

Mas Simão não o reconheceu, não deu o tratamento digno, não foi hospitaleiro com o Mestre.

A mulher pecadora

E é nesse ponto que “entra em cena” uma figura odiada, desprezada, apontada, escarnecida, acusada; a mulher pecadora. E ela, ao ver o estado, o modo com que Jesus foi recebido, encheu-se de uma “santa indignação”, que logo se transforma em choro.

Ela não chorava por si mesma, ela chorava por Simão, e por todos que não conseguiam ver além das aparências. Embora Jesus estivesse se apresentando como um humilde carpinteiro, o que estava diante deles era maior que Abraão, Isaque e Jacó.

E ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele.
Colossenses 1:17

A mulher pecadora, então começa a tentar reparar o erro, a omissão do Fariseu religioso, orgulhoso; e começa a lavar os pés do Mestre com suas próprias lágrimas; e unge os pés do Senhor com o óleo precioso perfumado.

Ela fez tudo o que o dono da casa deveria ter feito.

E, estando por detrás, aos seus pés, chorando, começou a regar-lhe os pés com lágrimas, e enxugava-lhos com os cabelos da sua cabeça; e beijava-lhe os pés, e ungia-lhos com o ungüento.
Lucas 7:38

Particularmente, vejo nesses gestos de carinho para com Jesus, uma mensagem de despertamento. Era como se esta mulher enxergasse o que os “religiosos esclarecidos” não conseguiram, ou não quiseram enxergar.

“Como é possível que vocês não tenham dado o tratamento minimamente cordial para com o Rei?” Era como se aquele choro expressasse a tristeza, pelo juízo que se abateria sobre os incrédulos:

Ai de ti, Corazim, ai de ti, Betsaida! Porque, se em Tiro e em Sidom se fizessem as maravilhas que em vós foram feitas, já há muito, assentadas em saco e cinza, se teriam arrependido.

Portanto, para Tiro e Sidom haverá menos rigor, no juízo, do que para vós.
Lucas 10:13,14

A primeira revelação de Jesus

Imediatamente, o extremismo religioso de Simão endureceu o seu coração, e ele ao invés de reconhecer que estava em falta com o seu convidado ilustre, passa a duvidar da santidade do Mestre:

Quando isto viu o fariseu que o tinha convidado, falava consigo, dizendo: Se este fora profeta, bem saberia quem e qual é a mulher que lhe tocou, pois é uma pecadora.
Lucas 7:39

O texto afirma que Simão falava consigo mesmo; ou seja, falava no seu pensamento, ou no seu coração. Muitas vezes Deus revelava aos Profetas, a intenção que havia no coração de uma pessoa.

Entretanto, com Jesus aconteceu algo maior, pois Ele respondeu diretamente aos pensamentos do coração do Fariseu. Ou seja, Jesus sabia, ou lia, ou ainda, escutava os pensamentos, e os corações dos homens.

E por que Jesus tinha essa capacidade? Veja este texto que usamos no estudo sobre o paralítico de Cafarnaum:

Ouve tu então nos céus, assento da tua habitação, e perdoa, e age, e dá a cada um conforme a todos os seus caminhos, e segundo vires o seu coração, porque só tu conheces o coração de todos os filhos dos homens.
1 Reis 8:39

Ao ler os pensamentos do coração de Simão, Jesus estava revelando a Sua identidade divina, pois segundo o texto em referência (1 Reis 8:39), somente Deus conhece o que vai no coração do homem.

Ele sabia o pensamento do Fariseu, porque Jesus é o Eterno!

Além do que a aproximação da mulher pecadora, em direção a Jesus, é muito significativa, na medida em que ela se colocou por detrás do Mestre:

E, estando por detrás..
Lucas 7:38

Ou seja, ela via a Jesus pelas costas, agindo na semelhança de Moisés, que viu Deus, mas somente pelas por detrás:

E, havendo eu tirado a minha mão, me verás pelas costas; mas a minha face não se verá.
Êxodo 33:23

O perdão e o amor

Sem dúvida, até mesmo o Fariseu, orgulhoso, religioso extremista sabia que a quem mais é perdoado, maior amor é despertado. Jesus frequentemente comparava o pecado a uma dívida. Na oração do pai nosso, Ele ensinou a pedirmos, “e perdoa as nossas dívidas…”.

Mas quando não reconhecemos os nossos erros, de que poderemos nos arrepender? E se não nos arrependemos, de que seremos perdoados?

Essa era a natureza da pergunta do Mestre, para Simão. Era uma aviso para aquele religioso autossuficiente, de que ele só seria perdoado, na medida que também se arrependesse. Porém o Fariseu não reconheceu, que necessitava do perdão de Deus.

Por outro lado, a mulher pecadora, que ungiu os pés de Jesus, estava demonstrando arrependimento, tanto por ela, quanto por Simão. Ela buscava perdão pela vida pecaminosa que teve, e fazia o papel de anfitriã, que Simão não fez.

Arrependimento para ela e misericórdia para quem não acreditava em Jesus. Era a dupla intercessão, não somente por si mesmo, mas pelos outros. O amor não é egoísta, não busca somente os seus interesses. Por isso o Mestre diz que ela muito amou.

O amor é sofredor, é benigno… não busca os seus interesses…
1 Coríntios 13:4,5

A segunda revelação de Jesus

E a certa altura do jantar, após ter mostrado a Simão o Fariseu, a necessidade de arrependimento, Jesus se volta para a mulher pecadora, que lavava e ungia os Seus pés e dirige as seguintes palavras:

E disse-lhe a ela: Os teus pecados te são perdoados.
Lucas 7:48

Logo, daqueles que estavam à mesa, começam a surgir pensamentos, e uma pergunta que já é em si mesma a resposta:

E os que estavam à mesa começaram a dizer entre si: Quem é este, que até perdoa pecados?
Lucas 7:49

É notório as perguntas que surgem a respeito da identidade do Mestre. No episódio em que Jesus acalma a tempestade, os discípulos perguntaram: Quem é este que até o vento e o mar lhe obedecem?

Somente Deus pode perdoar pecados. E Jesus perdoou os pecados da mulher pecadora, porque Jesus é o Eterno!

Além disso, a palavra usada em Hebraico para o termo “[ Os teus pecados te são] perdoados“, é o verbo לְכַלּוֹת “lechalot”, que significa “terminar/aniquilar”.

Na carta aos Hebreus, nós encontramos uma expressão semelhante a essa, que nos mostra que o pecado foi aniquilado pelo sacrifício perfeito, que foi levantado no madeiro:

…Mas agora na consumação dos séculos uma vez se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo.
Hebreus 9:26

Jesus aniquilou os pecados da mulher pecadora, pela fé, pois Ele veio para isto, para terminar, aniquilar, desfazer o pecado, pagando o preço do Seu precioso sangue, pois somente o sangue de Jesus pode nos perdoar dos nossos pecados.

E perdão vem do evento da cruz, e a cruz de Cristo é a expressão maior do amor de Deus.

Mas longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo.
Gálatas 6:14

Sobre o autor | Website

Formado em Hebraico Bíblico, Geografia Bíblica, Novo Testamento, e Estudos do Apocalipse; é Especialista em Estudos da Bíblia, certificado pelo Institute of Biblical Studies da Universidade Hebraica de Jerusalém.

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3 Comentários

  1. Telma Costa disse:

    Muito bom esses estudos. Eu tenho edificado a minha vida pela palavra de Deus. Obrigada, esses estudos têm me ajudado no propósito do meu coração.

  2. RODNEY disse:

    Muito bom as vezes convidamos o senhor para dentro de nossa casa,mas não damos o verdadeiro valor que e merecido por ele

  3. Washington disse:

    Não acredito que a mulher veio a chorar por causa de Simão ela foi recorrer a Jesus por perdão dos seus pecados e tudo que ela fez fez por sentimento e querer próprio reconheceu seus pecados sabendo que Jesus era o messias enviado