Parábolas Israel Silva

Joio e Trigo | A parábola do Joio e do Trigo | Estudo Bíblico

Joio e Trigo | A parábola do Joio e do Trigo | Estudo Bíblico

A parábola do joio e do trigo, registrada em Mateus 13:24-30, é uma das únicas (juntamente com a parábola do semeador), que Jesus deu a explicação de sua interpretação – nos versos de Mateus 13:36-43. Joio e trigo representam dois tipos de pessoas, os filhos do maligno e os filhos do reino, respectivamente.

Jesus chama a atenção para a importância da explicação dada ao joio e trigo, na narrativa indireta desta parábola, afirmando que o “reino de Deus” é um processo que se torna semelhante ao da história contada.

E qual seria a intenção da parábola do joio e do trigo? Será que ela trata da Igreja, como uma instituição que possui adeptos identificados como “pessoas joio”, e “pessoas trigo”?

Será que joio e trigo se relacionam diretamente com as características de dois tipos de membros nas Igrejas Cristãs?

Será que a ordem para deixar crescer juntamente o joio e trigo, até o tempo da colheita, é uma permissão para que os praticantes do mal e do pecado continuem como membros do “corpo de Cristo”, sem serem incomodados?

A parábola do joio e trigo é contra a disciplina, a correção nas Igrejas?

A importância da parábola do joio e do trigo

Apesar de atualmente esta parábola ter a sua aplicação muito mais voltada no campo da teologia, e do estudo dos Evangelhos, historicamente, o joio e trigo tiveram uma participação muito forte na formação da doutrina da Igreja da idade média.

Hippolytus de Roma, dizia que Calisto (Papa de 212-222), não disciplinava os Cristãos envolvidos em pecados, e que o Papa os justificava citando Mateus 13:30, “deixe o joio crescer junto com o trigo“.

Outro “pai” da Igreja, Agostinho, também citava a parábola do joio e do trigo, contra o Bispo Donato, que era muito rigoroso, e que não admitia perdão para aqueles que negaram a fé durante a perseguição que os Cristãos sofreram por parte de Diocleciano (303-305 D.C.).

Mais tarde, na época da inquisição promovida pela Igreja Católica Romana, essa parábola de Jesus foi o centro da discussão sobre se era ou não era permitida a sentença de morte para aqueles que fossem considerados “heréticos” pela “Igreja”.

Mas o joio e trigo falam de membros da Igreja?

Interpretação moderna do joio e trigo

De forma surpreendente, na interpretação moderna da parábola do joio e do trigo, encontramos estudos com avisos de que, supostamente, Jesus estava alertando os Seus discípulos para se separarem do Judaísmo.

Outros estudos seguem os primeiros “pais” da Igreja, com alertas par não se tentar purificar a comunidade Cristã, daqueles que insistem em praticar as más obras.

Outros ainda defendem que o joio e o trigo são ilustrações do bem e do mal que existem dentro de cada indivíduo.

Como podemos ver, tanto as abordagens tradicionais quanto as modernas falham em procurar uma explicação baseada no contexto original em que Jesus estava, que é o que faremos neste estudo bíblico. Acompanhe conosco logo abaixo.

A parábola do joio e do trigo

Propôs-lhes outra parábola, dizendo: O reino dos céus é semelhante ao homem que semeia a boa semente no seu campo;

Mas, dormindo os homens, veio o seu inimigo, e semeou joio no meio do trigo, e retirou-se.
Mateus 13:24,25

Durante a ocupação dos Romanos na Judeia e Samaria, os inimigos realmente sabotavam as plantações de seus adversários, para forçá-los a vender seus campos. Os mesmos Romanos passaram leis que proibiam este tipo de ato.

Com relação ao joio no meio do trigo, era normal e até naturalmente esperado que algumas plantas de joio aparecessem no campo de trigo. A surpresa dos empregados do dono do campo, na parábola, demonstra o problema da quantidade excessiva de joio na plantação.

Ao que tudo indica, tão logo o joio era detectado, começava-se o trabalho de retirá-lo, tão rápido quanto fosse possível. E isto está subentendido na pergunta que os servos fazem ao Senhor do campo.

…E os servos lhe disseram: Queres pois que vamos arrancá-lo?
Mateus 13:28

A decisão de não arrancá-los, naquele momento, só pode estar baseada na grande quantidade de joio, o que realmente traria um risco aumentado de juntamente retirar o trigo do solo, de forma prematura. As raízes do joio e trigo tendem a entrelaçarem-se neste estágio de crescimento.

Mesmo que estivesse no início do crescimento dessas plantas, a quantidade de joio no campo, para que se fizesse ser reconhecida como o trabalho de um inimigo, deveria ser gigantesca, e não seria facilmente removida, sem que se danificasse o trigo.

O significado do joio e trigo

Tendo esse conhecimento, mesmo que muito resumido, cultural e histórico do plantio dos campos no antigo Israel, sob o domínio de Roma, temos as bases para entender o significado da parábola.

Por que Jesus contou essa história em que aparecem personagens que representam os atores principais do plano da redenção, na forma de elementos ligados a agricultura Judaica?

O Mestre explica que o campo é o mundo. Ele não está falando daIgreja Cristã“, nem muito menos do Catolicismo, como foi erradamente entendido por muitos dos chamados “pais da Igreja Romana”.

O trigo representa os filhos do reino de Deus, e o joio representa a presença do mal.

Ocorre que Jesus está respondendo aos Seus oponentes, que tinham as suas raízes na liderança religiosa de Jerusalém, os ultra-ortodoxos, sobre o cenário esperado da manifestação do Messias no mundo.

Havia muita expectativa de que o Messias acabaria com mal, e exterminaria de uma vez por todas os filhos do maligno:

Eis que o Senhor DEUS virá com poder e seu braço dominará por ele; eis que o seu galardão está com ele, e o seu salário diante da sua face.

…Eis que as nações são consideradas por ele como a gota de um balde, e como o pó miúdo das balanças…

Nem todo o Líbano basta para o fogo… Todas as nações são como nada perante ele; ele as considera menos do que nada e como uma coisa vã.

…Ele é o que está assentado sobre o círculo da terra, cujos moradores são para ele como gafanhotos…

…O que reduz a nada os príncipes, e torna em coisa vã os juízes da terra.

E mal se tem plantado, mal se tem semeado, e mal se tem arraigado na terra o seu tronco, já se secam, quando ele sopra sobre eles, e um tufão os leva como a pragana.
Isaías 40:10-24

A expectativa dos Judeus era de que o Messias destruiria os praticantes do mal, e estabeleceria o reino dos céus na terra. Jesus por diversas vezes declarou ser o Messias, e disse que o reino dos céus/Deus havia chegado a Israel e ao mundo.

João Batista e Jesus traziam esta mesma mensagem em suas pregações:

Desde então começou Jesus a pregar, e a dizer: Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus.
Mateus 4:17

É por esse motivo que o Mestre conta uma série de histórias simbólicas, como a do semeador, as parábolas do grão de mostarda, do fermento e da farinha, do tesouro escondido no campo, e da rede lançada no mar.

E qual é o tema principal de todas elas?

Todas trazem a mensagem de paciência e resistência, pois apesar do reino de Deus já ter sido estabelecido por Jesus, ainda assim o mal estaria presente no mundo até que o tempo determinado no plano da salvação se completasse.

O juízo final, a queima do joio

A parábola do joio e do trigo usa esses elementos para enfatizar a presença do reino de Deus, já neste mundo, por meio dos filhos da luz, todos aqueles que praticam os mandamentos do Eterno.

Porém, ao contrário da expectativa da liderança religiosa de Jerusalém (em particular da seita dos Fariseus), o mal ainda permaneceria na terra, até o ponto determinado pelo Eterno.

Jesus finaliza esta parábola revelando que no final, no dia do julgamento, o joio será separado do trigo, para ser queimado.

Além disso, toda essa série de parábolas traz a mesma mensagem, terminando na parábola da rede e dos peixes, quando o Mestre faz a consideração final, explicando aos Seus discípulos que os maus padecerão eternamente a punição das suas más obras.

Assim será na consumação dos séculos: virão os anjos, e separarão os maus de entre os justos,

E lançá-los-ão na fornalha de fogo; ali haverá pranto e ranger de dentes.
Mateus 13:49,50

O Mestre estava repetindo o aviso dado pelos Profetas no passado. Infelizmente muitos estão com os seus ouvidos “tapados” para ouvir essa mensagem crucial. Estão vivendo como nos dias de Noé, até que virá a destruição e serão pegos de surpresa.

Quem tem ouvidos para ouvir, que ouça!

Porque eis que aquele dia vem ardendo como fornalha; todos os soberbos, e todos os que cometem impiedade, serão como a palha; e o dia que está para vir os abrasará, diz o SENHOR dos Exércitos, de sorte que lhes não deixará nem raiz nem ramo.
Malaquias 4:1

Sobre o autor | Website

Formado em Hebraico Bíblico, Geografia Bíblica, Novo Testamento, e Estudos do Apocalipse; é Especialista em Estudos da Bíblia, certificado pelo Institute of Biblical Studies da Universidade Hebraica de Jerusalém.

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