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O Centurião de Cafarnaum | A cura do servo do Centurião Romano | Estudo Bíblico

O Centurião de Cafarnaum | A cura do servo do Centurião Romano | Estudo Bíblico

A história sobre a cura do servo do Centurião de Cafarnaum, está registrada nos Evangelhos de Mateus 8:5-13, e Lucas 7:1-10. Ambos contam do amor e da fé surpreendente, que brotou no coração desse estrangeiro.

O protagonista dessa passagem não era Israelita, foi um Gentio, um Centurião Romano, mas que passou a reconhecer o Deus dos Hebreus. Como muitos que tiveram contato com a religião Judaica, sentiu-se atraído pelo esplendor de suas doutrinas de elevação moral.

Quem era o Centurião de Cafarnaum

O Centurião residia na cidade de Cafarnaum, que em Hebraico é כְּפַר נַחוּם Kfar Nahum, Aldeia de Naum. Com a mesma raiz da palavra נַחוּם Nahum, temos o termo נִחוּם “Nihum”, que significa “consolação“.

O texto de Mateus relata que Jesus entrou na “aldeia da consolação”. De fato, o Mestre em Suas missões estava sempre salvando e consolando. Esta é a mesma cidade onde ocorreu a cura do paralítico de Cafarnaum.

O Evangelho de Mateus em Hebraico, no manuscrito de DuTillet, e também no manuscrito de Shem Tov, bem como o texto da Peshitta em Aramaico e Hebraico, chamam o Centurião de שַׂר-מֵאָה “Sar meáh”, “Oficial de cem“, pois um Centurião comandava pelotões de cem homens.

Cafarnaum ficava na província da גָלִיל “Galil”, a Galileia, o “círculo” de cidades que estavam em volta do lago de Quineret (o mar da Galileia). Essa região, e a cidade de Cafarnaum, era caminho das caravanas comerciais, que levavam seus produtos desde os grandes centros da época (Egito, Síria, Babilônia, Tiro e Sidom).

Por isso, havia naquela cidade um destacamento que cuidava da proteção da “estrada” comercial. Provavelmente havia mais sessenta Centuriões Romanos na Galileia, que seria o número de soldados para se completar uma Legião – cerca de seis mil soldados.

O Centurião vem até Jesus?

Como podemos observar nas duas narrativas, há diferenças notáveis entre o registro de Mateus e o relato de Lucas. Mateus nos conta como se o próprio Centurião de Cafarnaum viesse até Jesus.

E, entrando Jesus em Cafarnaum, chegou junto dele um centurião, rogando-lhe,
E dizendo: Senhor, o meu criado jaz em casa, paralítico, e violentamente atormentado.
Mateus 8:5,6

Mas com Lucas, lemos que foram enviados mensageiros até o Mestre, que lhe expuseram as palavras do Oficial de cem.

E o servo de um certo centurião, a quem muito estimava, estava doente, e moribundo.
E, quando ouviu falar de Jesus, enviou-lhe uns anciãos dos judeus, rogando-lhe que viesse curar o seu servo.
Lucas 7:2,3

Essas diferenças não podem ser consideradas contradições, uma vez que elas refletem o estilo literário que cada autor adotou para transmitir o Evangelho.

Mateus costuma abreviar em muito as suas narrativas, indo diretamente ao ponto central da história, suprimindo as circunstâncias secundárias. Para ele, “o que se faz por meio dos outros é como se fosse por si mesmo”.

Já Lucas é muito mais detalhista, e revela que o Centurião, por humildade, não se achou digno de estar na presença do Mestre, e por isso enviou pessoas mais “adequadas” (no sentido religioso), que eram os anciãos dos Judeus (daquela cidade).

E, chegando eles junto de Jesus, rogaram-lhe muito, dizendo: É digno de que lhe concedas isto,
Porque ama a nossa nação, e ele mesmo nos edificou a sinagoga.
Lucas 7:4,5

A cura do servo do Centurião de Cafarnaum

Voltando ao início do Evangelho de Mateus, sobre a cura do servo do Centurião, vemos que ele registra um emocionado pedido que este Oficial fez por seu “criado”:

…o meu criado jaz em casa, paralítico, e violentamente atormentado.
Mateus 8:6

Entretanto, nos originais, em Hebraico, os manuscritos de DuTillet e Shem Tov, registram que o Centurião de Cafarnaum fez um dramático pedido, mas por seu filho. O termo usado foi בניbeni“, que significa “meu filho“.

A Peshitta Aramaica, do livro de Mateus, usa a palavra טַלִּייTali“, que segundo o Manual da língua Aramaica no Talmude Palestino, significa “meu filho“. Segundo esses originais, tanto em Hebraico, quanto no Aramaico, o Centurião teria dito:

…o meu filho jaz em casa, paralítico, e violentamente atormentado.
Mateus 8:6

Agora é possível entender a situação dramática que aquele Oficial se encontrava. Jesus já havia curado o filho de um Oficial do rei Herodes, com apenas uma única palavra. Essa notícia se espalhou por toda a Galileia, e certamente o Centurião Romano tomou conhecimento.

E a fé vem pelo ouvir, e o ouvir vem pela palavra de Deus. Por isso nasceu uma fé sobrenatural, poderosa no coração do Oficial de cem.

A fé do Centurião Romano

A situação desse pai era sem dúvida desesperadora. Ter em casa um filho paralisado, sofrendo sobre uma cama. É um drama que se repete por diversas e muitas vezes nas passagens do Novo Testamento.

Era um tempo em que a medicina não possuía o conhecimento atual, e as crianças, as mulheres e os idosos padeciam enfermidades que podem ser tratadas no século atual. A própria Galileia tinha partes alagadas, em que se tornavam verdadeiros criadouros de mosquitos.

Esses insetos espalhavam doenças febris, como quando Jesus repreendeu a febre da sogra de Pedro.

Ninguém sabe o motivo que levou à paralisia do filho do Centurião, mas sabemos que ele tinha uma grande fé. Normalmente os Judeus pediam que os Profetas impusessem as mãos sobre os enfermos, para que Deus os curasse.

Ou seja, os Judeus acreditavam que o Profeta era apenas um canal, por meio do qual o Eterno manifestaria o Seu poder de cura. Para isso, o Profeta teria que estar fisicamente presente na casa do doente. Por isso Jesus disse:

E Jesus lhe disse: Eu irei, e lhe darei saúde.
Mateus 8:7

Há muitas outras histórias bíblicas que ilustram as “viagens” dos Profetas, e os milagres operados, mas sempre com o Profeta estando presente, servindo de canal para o poder de Deus.

A visão do Centurião de Cafarnaum, um estrangeiro, foi diferente em relação a Jesus. A fé dele conseguiu enxergar algo que os Judeus não tinham visto até aquele momento.

Basta uma palavra de cura

Ele como homem que tinha autoridade sobre seus soldados, sabia que o mundo espiritual também estava debaixo da autoridade de “alguém”, que possuía o poder e a autoridade de determinar a vida e a morte, a doença e a cura.

O certo é que as Escrituras nos ensinam que somente Deus tem esse poder e essa autoridade, e que os Profetas agiam por meio de mandamentos ou ordens que emanavam do Eterno. Por isso, quando um Profeta falava, sempre iniciava com a fórmula proféticaassim diz o Senhor…“.

Com Jesus era diferente, pois o Mestre ao ensinar, usava suas frases na primeira pessoa, pois dizia “Eu vos digo“, mostrando autoridade própria para falar.

Por isso digo que o Centurião Romano teve uma “visão além do alcance”, pois ele usou do tema da autoridade, e as suas palavras mostram que ele sabia quem era Jesus:

E o centurião, respondendo, disse: Senhor, não sou digno de que entres debaixo do meu telhado, mas dize somente uma palavra, e o meu criado há de sarar.
Mateus 8:8

Ele sabia que somente Deus tem o poder e a autoridade para estabelecer a vida, e que Deus não precisa estar fisicamente presente para que o Seu poder opere. Um Profeta precisaria estar, mas não Deus.

Por isso quando ele pede a Jesus, “Dize apenas uma palavra”, é como se dissesse, “porque eu sei quem tu és, o Rei dos reis e Senhor dos senhores “. E Jesus curou o filho do Centurião de Cafarnaum, com apenas uma palavra, porque Jesus é o Eterno!

Foi essa percepção, que muitos ainda hoje não conseguiram alcançar, apesar do Novo Testamento deixar a identidade de Jesus escancarada, para todos que quiserem saber, que Ele é o Eterno!

Foi essa percepção, vinda de um estrangeiro, que não conhecia as Escrituras, foi que causou admiração no Mestre:

E maravilhou-se Jesus, ouvindo isto, e disse aos que o seguiam: Em verdade vos digo que nem mesmo em Israel encontrei tanta fé.
Mateus 8:10

Para Deus basta uma palavra de cura, de libertação e de vitória. Jesus sentia que do meio dos gentios já havia um povo que Ele separaria, santificaria, e salvaria.

Muitos não o reconhecem ainda, mas para quem reconhece a Jesus, há um reino preparado, onde poderá desfrutar das mesmas promessas feitas a Abraão, Isaque e Jacó.

Mas eu vos digo que muitos virão do oriente e do ocidente, e assentar-se-ão à mesa com Abraão, e Isaque, e Jacó, no reino dos céus;
Mateus 8:11

Sobre o autor | Website

Formado em Hebraico Bíblico, Geografia Bíblica, Novo Testamento, e Estudos do Apocalipse; é Especialista em Estudos da Bíblia, certificado pelo Institute of Biblical Studies da Universidade Hebraica de Jerusalém.

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1 Comentário

  1. ana raquel disse:

    amei opai o filho e o espirito santo fortalem e aabençom seu trabalho a voce e sua familia